Cristina era menina-mulher.
Ela sorria como o sol.
Não tinha malícia. De dia.
Formava erros e cantava. Em pensamento.
Philippe era moço da cidade.
Juntava teclas para formar pontos.
Em contos via estrelas. No sonho.
Tinha calma. Com pressa.
Um dia o sorriso despudorado de Cristina clamou pela vergonha (pouca) de Philippe.
Talvez fosse dia. Não se sabe.
Ele chocou-se com a leveza daqueles olhos verdes.
Ela estava repleta de ira. Pequena.
Assim como seu corpo.
Meses depois era dele o sorriso. De dia.
Sem malícia. Talvez com um pouco. Não sei.
E era dela o rubor. Na rede.
Quando o sol não aquecia. Mas ele sim.
Ela era arte. E ele seu erro mais certo.
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
Eu não quero morrer
Estou
com medo de morrer
A
morte me assusta
Eu
sei, houve dias em que a tristeza me fez pedir por ela
Essa
certeza única e da qual não se pode fugir
Mas
hoje, especialmente, estou com muito medo de morrer
Não
quero morrer agora
Eu
sei que não se pode escolher
Mas
eu ainda gostaria de abraçar meu pai muitas vezes
Gosto
da segurança tão rara que ele me dá
E
fazer carinho nos cabelos da minha mãe
Ela
é tão forte que me faz sentir vergonha de desistir
Ainda
quero rir com meus sobrinhos e brigar com meus irmãos
Escrever
outros poemas e aprender crônicas
Ler
mais Clarice, Pessoa, e outros tantos poetas
Quero
ainda ouvir o mar de Miami
Ver
o Natal em Gramado
Reclamar
de palavras erradas
Gargalhar
com minhas amigas
Dançar
músicas que só eu consigo escutar
Há
tanto ainda que eu quero fazer
Não
posso morrer agora
E
sei lá, hoje o meu peito está apertado
Então
me peguei aqui, pensando nessas tolices
Que
me iluminam os dias
E
essa minha mania de querer tudo azul
Me
faz perder o foco no arco-íris inteiro
E
todas as músicas que ainda me farão sonhar?
Não
quero perdê-las
E
todas as chances que ainda devo desperdiçar?
Também
não quero perdê-las
Nem
quero perder os prazeres das lágrimas de saudade
Da
fome de novos poemas
Das
paixões em noites serenas
Das
tempestades que me fazem tremer
E
do sol que me faz sonhar
Não
quero perder um filme novo no cinema
Nem
as tardes tristes na cama
E
os goles de água na madrugada
O
frio dos meus pés no inverno
O
suor das poucas caminhadas de verão
Eu
não quero morrer
E
estou brava por pensar nisso hoje
Não
quero pensar
Mas
penso
E
o vento, tão leve lá fora
Não
tem força pra levar minha angústia
Deveria
eu desistir da viagem
Da
gente nova
Do
lugar novo
E
ficar com o velho, seguro
Mas
afinal, o que mesmo é seguro?
Não
se sabe
Alguém
talvez saiba
Eu
não
Só
sei, que hoje eu não quero morrer
Pra
quem devo pedir pra viver?
Pedir vai resolver?
Não sei
Mas na dúvida
Ei! Você aí! Me deixa viver?
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Sei, mas não quero saber
sei tanta coisa de você
sei que gosta de azul e camisetas
que gosta de cinema na cama
e numa sala vazia onde só tu existas
sei sobre teus medos
desses medos que afligem qualquer humano
sobre finanças e acidentes
e que não tem uma vida tão plena como gostaria
também sei que és metódico
que não tem paciência para a ignorância
que adora viajar às nuvens
e que gostaria de voltar no tempo
soube também sobre o Elton John
e sobre viagens a capitais
eu não estava lá de fato
mas me dissesses que estive o tempo todo
sei que leu Bukowski por uma janela
dessas por onde o sol não entra
e não entendeu quando eu disse que sabia
sobre ti mais do que gostaria
saberia também contar os dias
se fosse amiga dos números
e diria há quantas anda
os anos que perdeu com a distância
saberei também sobre o futuro
sobre seu berço e seu castigo
sobre suas bençãos e novas revoltas
e talvez, ainda que não queira, saberei sobre outros futuros
eu sei muito sobre você
sobre sua raiva das mentiras
sobre suas sinapses invasivas
e sobre as suas tardes de rebeldia
soube também sobre seus sonhos
sobre a felicidade nunca feita
já me contastes sobre minha presença em suas noites
e sei onde estou em seus dias
sei sobre as leituras nunca feitas
sobre voos ainda não alcançados
sei sobre Londres e Paris
e também sobre o fim que nunca houve
sei um pouco sobre seu sarcasmo
talvez mais do que gostaria
ou tão pouco que nem ouso enfrentar
mas sei que tocas sem ironias
sei outros tantos de você
até sei que pensas ser eu uma reencarnação
como se Clarice voltasse à Terra
uma lisonja que só tu poderias ditar
sei sobre a ficção que te desnivela
sobre Darth Vader e Hermione
sobre Eduardo Spohr e até sobre a cintura de Shakira
e nada disso me transforma, mas está aqui
sei coisas sobre você que outros também sabem, ou não
e penso de que me servem agora
se me fazem parte de ti
ou apenas é informação infértil
sei que gosta de azul e camisetas
que gosta de cinema na cama
e numa sala vazia onde só tu existas
sei sobre teus medos
desses medos que afligem qualquer humano
sobre finanças e acidentes
e que não tem uma vida tão plena como gostaria
também sei que és metódico
que não tem paciência para a ignorância
que adora viajar às nuvens
e que gostaria de voltar no tempo
soube também sobre o Elton John
e sobre viagens a capitais
eu não estava lá de fato
mas me dissesses que estive o tempo todo
sei que leu Bukowski por uma janela
dessas por onde o sol não entra
e não entendeu quando eu disse que sabia
sobre ti mais do que gostaria
saberia também contar os dias
se fosse amiga dos números
e diria há quantas anda
os anos que perdeu com a distância
saberei também sobre o futuro
sobre seu berço e seu castigo
sobre suas bençãos e novas revoltas
e talvez, ainda que não queira, saberei sobre outros futuros
eu sei muito sobre você
sobre sua raiva das mentiras
sobre suas sinapses invasivas
e sobre as suas tardes de rebeldia
soube também sobre seus sonhos
sobre a felicidade nunca feita
já me contastes sobre minha presença em suas noites
e sei onde estou em seus dias
sei sobre as leituras nunca feitas
sobre voos ainda não alcançados
sei sobre Londres e Paris
e também sobre o fim que nunca houve
sei um pouco sobre seu sarcasmo
talvez mais do que gostaria
ou tão pouco que nem ouso enfrentar
mas sei que tocas sem ironias
sei outros tantos de você
até sei que pensas ser eu uma reencarnação
como se Clarice voltasse à Terra
uma lisonja que só tu poderias ditar
sei sobre a ficção que te desnivela
sobre Darth Vader e Hermione
sobre Eduardo Spohr e até sobre a cintura de Shakira
e nada disso me transforma, mas está aqui
sei coisas sobre você que outros também sabem, ou não
e penso de que me servem agora
se me fazem parte de ti
ou apenas é informação infértil
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
Quereres
Estou te querendo
Desde aquele quase esbarrão quando não sabia quem eras
Estou te querendo e não tenho medo do nada
Tua boca é macia
E eu gosto de bocas macias
Eu te quis por um instante
Foi quando tu tocou de leve a minha mão e nem notou
Eu te quis e tu provou, tímido
Da minha vontade de pele tão quente
E minha pele ferveu
Eu ainda te quero
Tenho tempo pra te tocar cada resquício de sede
Eu ainda te quero a fazer meus delírios
Serão lidos então quando teu sotaque calar
E meu fôlego cansar
Eu ainda hei de querer-te
Enquanto houverem avenidas a separar nossos corpos
Eu ainda hei de querer-te de olhos cabisbaixos
Todo prosa a contar desatinos alcoolizados
E mesmo depois de teres bebido a mim
domingo, 5 de agosto de 2012
Drummond, reggae e a revolta da poesia numa tarde (de sol)
Jovens gostam mesmo de mostrar do que gostam. Rebeldes,
normalmente sem causa, saem por aí jogando na cara da sociedade suas lutas, nem
tão gloriosas assim, para serem compreendidos. Oh tempo bom... para alguns. Outro dia lá no Tanque, liamos
poesia pra saciar nossas mentes e egos sob a sombra misturada com pedaços de
sol. Era domingo e muita gente teve a mesma ideia. Não a de ler poesias, pois
isso seria exigir demais de um povo que, em sua maioria (esmagadora, sejamos
justos), não entende a grandiosidade dos versos. Enfim, a ideia que
algumas dezenas de gentes tiveram foi a de passear no parque. Algo até bonito
de ver, pois o dia estava realmente convidativo. Era um fim de tarde.
Lá pelas tantas, quando discorríamos sobre um texto de
Drummond, um grupo de jovens, amontoados em um carro da moda, com roupas da
moda, tênis de moda e celulares da moda, estacionou bem perto de onde
estávamos.
- Ei, deixa a porta do carro aberta.
Disse uma mocinha, não mais de 18 anos, de franja enorme, um tipo bem comum hoje em dia. O pedido era para uma amiga,
ou colega, afinal, atualmente isso se mistura muito, não se sabe mais o que é coleguismo,
amizade...
A amiga abriu a porta. Mas isso ainda não satisfez o
grupo.
- Levanta o som. E abre a porta de trás também.
Caramba, qual o problema dos jovens? Tão cedo e já com
problemas de audição? Que porcaria é essa? E a nossa poesia já ia ficando
abafada por conta do reggae lá da capital que saía sem dó daquelas caixas de som.
Eu até gosto de reggae. Mas eu gosto muito mais de poesia. Contos e crônicas
também me agradam. E o Drummond é bem melhor que o Dazaranha (mas eu até gosto de Dazaranha, um pouquinho). Será que eles
sabem quem é Carlos Drummond de Andrade? Líamos também Fernando Pessoa. E nessa
hora o coitado devia se revirar no túmulo. É um ultraje ser esmagado pelo som
delituoso dos pequenos revoltosos.
Lá pelas tantas, no meio de uma leitura quase gritada e
ouvida em partes, uma frase destacou-se, e nem sei mais de quem era o texto. “Os
incomodados que se retirem”. Ah vá! Sério mesmo?
Nós chegamos primeiro, cadê a educação desse povo menor
de idade? Mudou a música. O sol foi embora. Mas a galerinha continuou lá, com
os braços de fora e o respeito no porta-malas.
Então, como os nossos apelos em forma de olhares de insatisfação não resolveram,
mudamos para o outro lado do parque. Já era noite. As luzes foram se acendendo. E ainda era possível ver a turma reunida. Mas eles logo se amontoaram de novo dentro do seu carro da
moda, com suas roupas da moda, tênis de moda, reggae (ou seja lá o que for que
estivessem ouvindo naquelas alturas) e foram embora. Fiquei pensando, será que
bons modos vão estar na moda no próximo inverno? E será que os incomodados devem mesmo se retirar, mesmo quando chegam primeiro? É, talvez eu precise de mais poesia e outras brisas sob a sombra. E talvez o mundo precise de mais jovens com ouvidos bons.
Sacrifício
Talvez seja apenas só uma palavra. Talvez seja a mais árdua missão de nossas vidas. Talvez nem vida tenhamos enquanto houver sacrifício.
Partes de nós provavelmente serão felizes, em algum tempo e perto de outros amores. Serão amores diferentes. E essa certeza tão intensa de que nunca serão como o nosso amor, talvez seja prova mais consistente de que jamais seguiremos em frente como deveríamos. E a dúvida sobre se realmente deveríamos, devemos, nos mata a cada dia porque não se pode viver pela metade. Há uma parte de nós que não nos pertence, apenas vive em outro corpo, em outra mente, em outra atividade qualquer que realizemos enquanto o tempo passa despercebido. É mesmo uma palavra, que vem de um jeito que destrói e constrói a cada ano.
Seria apenas mais um passo dado para o lado errado, caso fôssemos apenas duas almas perdidas em momentos incertos. Mas não somos apenas dois, nem o momento é incerto. São passos escolhidos por forças que não nos pertencem. E não há nada disso que nos mude. Mas realmente não importa.
Seremos sempre dois em um. Estarei aí, em cada nova música que ouvir. E tu vive comigo em cada verso que descubro. Nossas vidas estarão sempre ligadas, mesmo que nunca unidas.
Há em nós essa dor que amarga um pouquinho de nossos dias, tudo por culpa de uma saudade que nunca passa. Há um espaço vazio que não se preenche com nada mais do que nos faz bem, pois é um lugar onde só se chega através do amor que nunca se afastou de nós. É como uma senha que só existe em se dois olhares se encontrarem, e que ninguém mais terá, nunca, acesso, nem mesmo que vírus nos toquem e nos queiram devastar, invadir, possuir.
Não sei quanto ainda viveremos, nem se ao menos viveremos por nós dois, um para o outro. E a dúvida enrustida na certeza do nunca, devasta cada novo sonho de possibilidade.
Enquanto isso, novas datas acontecem. E a sua memória como agenda histórica nos fará recordar cada uma delas em novos encontros, debaixo de árvores perdidas. Quando a brisa nos toca e nos leva a querer tocar também o ar um do outro. E vamos rir enquanto nos beijamos em pensamento. E quando seguirmos em direções contrárias, mais uma vez, derramaremos lágrimas que só escorrem para dentro. É uma força que nos derruba, para que possamos continuar erguidos, seguindo de um jeito que não queremos, não com a mesma vontade que temos quando nos olhamos.
Pode ser apenas uma palavra. Mas é mesmo um sacrifício.
Sobre o mundo que não tenho (ou tenho)
Há um lugar
no mundo reservado para cada pessoa? Não me refiro ao lugar espaço físico, mas
lugar do tipo que acalma, que afaga nosso ego, que alegra nossos dias e faz
sorrir os minutos. Há como ser inteiramente normal sem parecer louco? Há como
gostar de poesia hoje e crônica amanhã? Há como querer o silêncio numa tarde de
sol e o barulho numa noite de tempestade?
Quero meu
lugar no mundo. E às vezes acho que o tenho, mas ele logo se esvai por entre
meus dedos. Ou foge no meio do texto. Ou simplesmente pega um ônibus. Outras
vezes eu pensei ter encontrado. E então, a vida vai seguindo, pessoas vão
surgindo e sumindo na mesma velocidade do alarme do meio-dia*, aquele que toca
no centro da cidade e faz todos correrem para o almoço quando mal engolem o
tempo que perdem enquanto se empurram em ruas tão cheias de gente e vazias de
sonhos.
Faz tempo que
tento entender minha missão nesse mundo. É, essa coisa de que não viemos por
acaso e que nada do que foi volta e será como antes, como música que se choca
com o transe da realidade tão brusca que nos acorda todas as manhãs. Seria
mesmo uma missão ou apenas me falta conexão com o caos dessa vida tão pouco
vivida? Ou será que eu vivo e quem perde é quem não me toca os dias?
Ah! Que falta
me faz ter um lugar em sombras de árvores que nem existem no meu bairro para
que eu possa entender os versos que escrevo. Nem ao menos entendo se há um
mundo onde eu exista de verdade. E talvez o que me falte seja a ira do som do
silêncio, me mostrando que nada há se não for criado. Ou que a vida real é
apenas um reflexo do que sinto, ou não sinta. E que nada é uma ilusão até que
se prove o contrário. E que talvez eu só precise de um espírito como o meu, que
não se encaixa em nada mas que vive tudo, mesmo sem viver.
*Em Lages, a sirene da Clube, como é conhecida, toca quatro vezes ao dia, uma delas é no horário do almoço, e boa parte da cidade consegue ouvi-lo o e o segue como indicativo do final do expediente.
sábado, 4 de agosto de 2012
Literaturalmente
Imaginei que aprendi sobre as palavras
Elas vinham em torno de luzes
Piscavam, revoltavam meu corpo
Revoavam em torno do dorso
Reparei no detalhe do óculos que sumiu
No ritmo da música que não ouvi
Havia o reflexo dos versos dispersos
De nada e de tudo na retidão da penumbra
Houve outro pouco de sonho perdido
Ilusão ou tesão incontido, contido
Retido na relva, era mesmo relva, ou selva?
Ou seria aquele texto não lido na horizontal?
Talvez uma sombra apenasse a alegria das mãos
E a fina loucura dos dias que um dia chegarão
Ou das manhãs de vontades invisíveis, visíveis
A olhos nus de lentes, intermintentes
A olhos nus de lentes, intermintentes
Revelam a nítida voz, irreal, tão real
Do que foi e não foi nunca mais, ah, mas vai
Haverá um talvez escondido no poema
Ou na lúdica canção de dormir
Que embala os desejos do corpo
E faz a alma inteira sentir, sorrir
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
Sorria pra mim
![]() |
Eu gosto de sorrisos. Parece óbvio, afinal quem não gosta de
sorrisos? Mas há sim, quem não goste. São aqueles que não suportam a alegria
alheia, que descontam suas frustrações naqueles que amam viver. Mas enfim, desses,
nem é preciso falar. O que eu quero mesmo dizer, é que adoro sorrisos porque me
fazem sorrir também. Gosto da alegria. Do bom humor. Gosto de quem me tira
gargalhadas no meio do dia. De quem me surpreende. De quem ousa. Gosto de quem
me faz acreditar no caráter. De quem me absorve a tristeza e me devolve
alegria. Gosto da dignidade que admira e da admiração que faz o amor crescer.
Adoro carinhos noturnos. Recados
perdidos. Saudades incontidas. Adoro encontro na rua e bebida com rock. Adoro
quando o sol se põe e o sorriso aparece. Adoro quando a chuva aperta e o abraço
também. Eu gosto mesmo é de sorrisos e todas essas coisas que fazem sorrir num
dia nublado, num dia abafado, num dia que anoitece e na noite que amanhece. Eu
gosto mesmo é de gente que sorri. E de gente que me faz sorrir.
terça-feira, 31 de julho de 2012
Poeminha
Hoje eu quis escrever um poema
Há dias quero escrever um poema
Mas a chuva tão tensa e vazia
Levava minha vontade tão cheia de sol
Eu quis revelar num poema
Toda força das noites insanas
E iluminar em versos impostos
As reais intenções do anormal
Mas a chuva, tão serena e contínua
Não queria meu tempo sorrindo
Rabiscava minhas palavras sem dó
E lágrimas solitárias se alinharam
Precisei de um poema intruso
Que me roubasse a apatia dos dias
E ele veio embutido no frio
De um quarto tão cheio de gritos
Pouca robustez ele tinha
E eu não lia como quem quer amar
Mas houve um zunido de luz
Levando o meu riso à lua escondida
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