quarta-feira, 16 de julho de 2014

Não desamarei-te



Quem te ama

Não desama mais

Desamar é verbo que não cabe no teu nome

Que não cola no coração após um beijo seu



É impossível desamar, desligar, desativar, desconectar

Do seu sorriso

Das suas frases ligeiras

Das suas crenças e descrenças

Da voz que nem ouço mais

Mas que ressurge em meus lábios

Quando penso em ti



Não é possível desamar dos seus olhos

Que contam instantes de paz

Quando me olhas

Sacia minha vida inteira de nuvens

De sol que me vibra os dias



Então, como hei de desamá-la?

Amar os teus passos passados

É entender que não há futuro sem tua presença

Não há como amar menos o que se tornou indivisível

E o amor que te sublimo não se vai



Jamais desamarei de tuas vidas
Tão minhas

E viverei a flutuar

Nas palavras
Tuas
Que só sabem 
Amar.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Um tempo...

E às vezes a gente precisa dar um tempo. Esquecer a rotina, sentir o coração, ouvir os pensamentos. Para  poder entender o mundo que vive dentro de nós. As dores, as cores, os amores. Tem horas que o melhor mesmo, é procurar um lugar, escondido, distante, calmo. Deixar o tempo passar sem olhar no relógio, sem olhar para o céu procurando o dia ou a noite. Simplesmente deixar acontecer.
Quero deixar acontecer, nesses dias que seguem, o que tiver que acontecer. Sem questionar, sem criticar, sem pensar se poderia ser diferente. Quero não pensar no que os outros dizem ou pensam. 
Quero me desligar das sandices diárias. Quero outro ar, outro lugar. Quero me ouvir. Há tantos gritos dentro de mim nunca jogados ao vento. Há tantos caminhos não percorridos. Por isso, preciso de um tempo, de calmaria e brisa.
Quero me alcançar enquanto sonho com um futuro. Enquanto caminho de pés descalços. Enquanto vejo as pessoas procurando o sol. Preciso dessa paz sem destino, para, enfim, fazer o meu destino. Preciso renovar as energias para agarrar a coragem e fazer acontecer o que pode me fazer feliz...

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

A gente (se) perde


E às vezes a gente perde
Perde a vontade de seguir
De recomeçar a cada dia
Às vezes a gente perde
Pensando que está ganhando
E às vezes a gente ganha
Mas nem percebe
E tem gente que a gente quer
Pra sempre ganhando
Perto da gente
Dias mais floridos
Sorrisos mais bonitos
Verdades mais gostosas
Caminhos mais sinceros
E tem gente que a gente
Nem sente que está perto
Tem gente que a gente
Sempre quis por perto
Têm os que nos mandam abraços
E beijos iluminados
E tem aqueles que vivem
Pra sempre dentro da gente
Que nos levam um pedaço
De sonhos realizados
Tem aqueles que vivem
Em nossos pensamentos
Quando a gente fecha os olhos
Em sonos tranquilos pela tarde
E tem gente que perde
A gente
Quando corre pra longe
Quando tranca as portas
Tem gente
Que perde
A gente
E a gente quer que ganhe
A gente
E tem gente que perde
O olhar no espelho
A vontade de estrelas
A calmaria da alma
Tem gente como a gente
Que não sabe onde foi
Que perdeu o destino
E traçou um novo
Tem gente que perde
O passado que vive
Tem gente que só
Precisa da gente
E às vezes a gente
Só precisa do outro
Daquelas tardes de domingo
De passeios sem rumo
De afazeres sem hora
Das horas cheias de risos
De horas silenciosas
Quando os carinhos gritam
E às vezes a gente precisa
De gente que goste de gente
Da gente
De outros como a gente
A gente não deve
Nunca
Se perder
Um do outro
Nunca devemos nos perder
De nós mesmos
A gente, precisa se deixar ser
Gente.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Menina na chuva

Eu ouço a chuva cair
Fico calma aqui
Segura no meu quarto
As paredes brancas
O som das gotas
A luz acesa, a porta trancada
E aquelas lembranças entrando

Eu fui uma menina decidida
Contava histórias aos amigos
Era a melhor da turma
Subia em árvores
Mas precisei da chuva
Pra lembrar das roupas molhadas
E dessas outras coisas todas
Que fizeram quem eu sou

Quanto tempo faz que já não sou
A menina das roupas molhadas?
Quanto tempo faz que não corro
Na chuva num final de tarde?

A saudade aparece assim
Quando não se espera mais nada
De um dia chuvoso
A gente tem mania
De deixar a TV ligada
Não lembra que o mundo
Acontece todo lá fora

É quando a chuva cai
E quando os ventos são gelados
Que a gente lembra
Mas só quando ouve
Quando olha pela vidraça embaçada
E faz desenhos com os dedos
Sorri em frente a corações de vapor
Sente a criança de ontem

Quanto tempo faz que não sou
A criança que fazia corações?
Quanto tempo faz que não sorrio
Numa tarde de chuva fria?





sexta-feira, 21 de junho de 2013

Poemas mentais

Eu faço poemas mentais
E me perco de suas rimas
Assim que outra paisagem
Chega em meu peito
Partido

Escrevo poemas no chuveiro
Enquanto inalo o vapor
E a névoa apaga os sentidos
Enquanto enxergo a penumbra
E vejo o dia do começo
Depois a noite do fim

Pontuo com letras no teto
Os defeitos da minha alma
As dores que bateram na porta
Vestidas de falso vermelho
E tive ilusões de verdade
E frases de mentira

Eu uso um teclado imaginário
Para contar aos meus sonhos
As vontades que tenho
De pessoas reais que enganaram
E das sôfregas lágrimas que sequei
Quando existiam olhos que choravam

De olhos fechados vislumbro
Todas as vitórias que não tive
E quantos sorrisos coloridos já vivi
Entre leis e desleais caminhos
Onde nada era como pensei
E tudo era só uma lição em preto e branco

Ontem eu fiz um poema
Na madrugada que acordou meu coração
Ele me contava histórias 
Que lhe faziam o sangue ferver
Mas afirmava:
- Um dia hei de esquecer.

Em outro minuto escrevi
Sem caneta ou papel
Sobre a importância (ou falta dela)
O que vale mesmo nessa vida?
Sentir a leveza da justiça?
Ou ser feliz sobre a tristeza? 

Pensei então sobre as palavras
Frases e orações que poderia usar
Para contar ao mundo
Como é fácil se perder 
Nos pesadelos que nos tocam
Quando outra força nos atropela

Eu quis colocar numa tela
Os jogos de letras e os gritos
Que levavam de mim os naufrágios
De retratos vazios que ainda tenho
E que vibravam sobre a mesa escura
E assim viraram loucura
 
Eu faço poemas mentais
Não como este [vivo]
Para pedir perdão
Aos que se perderam
No córtex cerebral

sexta-feira, 31 de maio de 2013

O giro e a não-morte

Eu quase morri
Vi tudo girar
Meus dias
Meu passado
Minhas vozes
Meus temores
Meus segredos
Tudo girou
Num segundo
Num minuto

Girou

E nem sei mais
Organizar a bagunça

Girou

Numa noite cinza
E eu quase morri

E a vida
Tão bonita
E cruel
Mostrou-me
Há quem acaricie
Há quem ignore

E a vida
Segue

Eu quase morri
Mas estou viva
Ainda
Mas algo morreu
Quando não houve
Um afago
Essencial

No coração

terça-feira, 7 de maio de 2013

Re (fazer) (criar)


Refazendo-me
Depois das noites insones
De versos sem rimas e cores cruas
Nuas estavam todas as flores
Insones repetições batiam-me
No peito tão receoso de sonhos

Refaço-me
Mesmo com o frio que insinua
Rasgar-me quando se fizer verdade
Entre traços de segredos rendidos
Lamentando-se pelos prazeres
Aflitos em seus calados sussurros

Recriando-me
Desde o amanhecer gritante
Com a fome de corações vazios
Delirando pelas ruas infinitas
Pelos apelos dos trejeitos
Daquelas mentiras enclausuradas

Recrio-me
Quando ouço a melanina
Que pálida me cega os medos
Sendo métrica de novos poemas
Da poeta que abriu a porta
Trancada para outro fim

domingo, 5 de maio de 2013

Aquele tempo


Houve um tempo
Em que o tempo
Nem passava
E nossos olhos
Paravam
Sobre a pele
Um do outro
Houve
Aquele tempo
Aqueles sussurros
O afeto sereno
Os sorrisosHouve um tempo
Em que o tempo
Nem passava
E nossos olhos
Paravam
Sobre a pele
Um do outro

Houve
Aquele tempo
Aqueles sussurros
O afeto sereno
Os sorrisos
Que falavam
Sobre o tempo
Futuro
E o presente
Tão cheio
De nossos planos

Houve
Um tempo
Que não passava
Que não queria
Passar
Para outro tempo
Esse de hoje
Tão diferente
E longo
Vazio
De um futuro
Juntos

De tempo
Precisamos
Para um fim
Melhor
Pra nós


Que falavam
Sobre o tempo
Futuro
E o presente
Tão cheio
De nossos planos
Houve
Um tempo
Que não passava
Que não queria
Passar
Para outro tempo
Esse de hoje
Tão diferente
E longo
Vazio
De um futuro
Juntos

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Conselhos


E tem essas dores
Que não se sabe
Como
Ou
Quando
Chegaram
Apertaram
Nosso coração
Dores, dor
Uma, duas, dez
Uma que vale por mil
Mil que deixamos passar

E temos que suportar
O passado incorrigível
Os gestos
Inesperados
Meus
Nossos
E os versos
Rasgados dentro do peito
Arrancados
Das lágrimas
Que não escorreram

E há esses dias
De paz
Da janela pra fora
Onde a porta
Fica trancada
Parece aberta
Para os recados do mundo
“Seja feliz”
“Viva intensamente”
“Siga em frente”

Mas ninguém sabe dizer
Como é ser feliz
Quando se tem algo
Que não se tem
Quando o rosto sorri
Um sorriso de atriz

Ninguém sabe explicar
Como é viver intensamente
Será se jogar de pechascos?
Saltar de paraquedas?
Saltar pra dentro de si?
Pra fora do tempo?

E seguir em frente
Parece simples
É só olhar a rua
E caminhar
Mas pra onde se pode ir
Quando ainda se vive o que já foi?

domingo, 28 de abril de 2013

Amor, sozinho, não basta


Amor não basta
amor por si só
único
indissolúvel
sozinho
no peito
não basta
Nem todo amor
tem paciência
nem coragem
para mudar
para melhorar
nem visão
nem exatidão
pra ser
apenas
amor

E há quem diga
que amor
de verdade
sempre basta
mas quem vive
discorda
ou pira
neutraliza [a mente]
verbaliza [aos gritos]
satiriza [o coração]
o amor
que não realiza [sozinho]

Amor não escolhe raça
nem personalidade
nem cor preferida
nem drama 
comédia
terror
acordar cedo
ou tarde
pro almoço
ou pro sonho [que não é igual]

Amor é loucura
insano 
mas precisa ser brando
reticente 
independente
que toca de leve
e arrasta pra perto
sem causar feridas
deixando
o prazer
de ser amor
numa cama
ou na cozinha
deixando-se
ser
o que tiver que ser


Amor mesmo
Leva pro céu
Joga pro alto
Só pede por paz
E sol
E vozes tranquilas
Risadas
Sem ira
E atira
Pra frente
Pra que seja
Feliz
De longe
Porque amor
De verdade
É forte
E solta
Liberta
Pra vida.

Pois assim
A felicidade
Virá
Quando o sorriso
Vier
Do outro
De perto
Ou de longe
Em qualquer lugar
Em qualquer tempo
De qualquer jeito
E sempre
Será
Amor
Simplesmente
Amor.