sábado, 26 de março de 2011

Vitória...

Não nasci pra ser aquela que vence sem antes perder muitas vezes. 
Só vivi minhas vitórias quando estava desistindo. 
Talvez não seja a hora de vencer. 
Mas talvez vencer seja, enfim, perder.

Divago muito

Divago muito
Perco apelos na relva
Afino a lista dos poemas
Numa imensidão de lampejos
Ouço minutos infundados
Feitos de receios que se afogam
Em lutas inacabadas
Suicido-me diariamente
Engano a vida no peito
Uma parte de mim é efeito
Outra parte se perde no tempo
Há um corpo na frente do espelho
Há reflexos sorrindo, imperfeitos
O balanço não alcança
O que ficou parado

Espaço

Um espaço
Um canto afinal
Onde a nuvem seja real
E nela eu recoste a cabeça
Feche os olhos e vá pra longe
Um espaço
Com janelas enormes
Pássaros cantarolando
Meus ouvidos viajando no vento
E no fim do dia a chuva
Quanta falta me faz
Um navio pra levar
Um avião pra carregar
Quanta falta me faz
Aquela casa do outro lado da cidade
Aquele canto colorido de saudade
Uns rabiscos na agenda velha
Músicas perdidas pelos livros
Um espaço... tão meu que não existe...

quarta-feira, 23 de março de 2011

Veredas que me seguem
Enquanto as persigo
Há curvas invisíveis
Pedras que latejam
Por voltas, alamedas
Retas apagadas na calçada
Pedaços de terra no asfalto
Poeira na beira da estrada
Lá onde a seta afaga
Há velocidade parada
Pedindo combustível de tempo
Assumindo as inércias revoltas
Não há fuga nas placas
Não vejo onde a rua acaba
Num sem fim que termina
Quando dois caminhos se chocam

domingo, 20 de março de 2011

Para ser

Precisamos encontrar um jeito, às vezes, de desfazer o que está feito. "Loucura", dizem alguns. Pode até ser. Mas um erro foi cometido. E não há mais destino. As coisas mudaram de lugar e cada um seguiu um rumo. Os caminhos parecem certos, mas a verdade é que não são. Mesmo distantes continuam se cruzando e mostrando que não não existe nada que não possa ser revertido. Os sinais acontecem, atropelam nosso ego que insiste em seguir uma razão incerta. Um instante de nova escolha deve chegar. Ou quem sabe já chegou e está batendo a nossa porta? Talvez seja a hora de consertar as curvas e encontrar a reta para a felicidade.

Pra onde vou agora?

Preciso procurar um lugar
Onde não exista forma de te perder
Um lugar tão calmo quanto brisa
E tão quente quanto o sol
Talvez não haja este lugar
E então eu terei que sofrer eternamente
Como vou viver assim?
Preciso procurar um lugar
Onde tua presença seja constante
E assim viverei a te olhar
Vou sorrir sempre que te tocar
E vou amar, amar...

A vida é tão cruel às vezes
Fica difícil encontrar a direção
Falta norte, falta sul
Falta o teu beijo
Falta o teu som
Pra onde vou agora?

Você me conhece?

Fico a me perguntar
Você me conhece?
Talvez você não saiba
Eu choro vendo novela
Não gosto de salada
Sou fã de poesia
E quero ser Jennifer Grey por um dia

Então, será que você me conhece?
Eu imploro quando estou sofrendo
E viro as costas quando quero abraçar
Eu falo atrocidades sem pensar
E falo de amor quando quero alcançar

Conta logo então
Quanto você me conhece?
Eu ouço rock e me declaro em letras
Adoro comédias e me rendo no cinema
Tenho medo de chuva
E vejo de olhos fechados

Então, será que você me conhece?
Eu imploro quando estou sofrendo
E viro as costas quando quero abraçar
Eu falo atrocidades sem pensar
E falo de amor quando quero alcançar


Eu preciso saber
Você conhece a mim?
Fico tímida quando me sorriem
Leio jornal todos os dias
Quero beijar Clark Kent
E ter a coragem de Lois Lane



Por favor
Diga que sabe a minha cor favorita
Diga que entende meus sonhos de amor
Se um dia você realmente me amar
Seus olhos vão responder
E suas mãos vão me contar
Tudo que eu já sei

domingo, 6 de março de 2011

Hora

Quem sabe um dia a gente se encontre por aí
Onde o céu encontra as águas
Como quem busca o infinito
E sobrevive ao impossível


Quem sabe um dia a gente se toque
E ouça os desassossegos dos anos
Que pararam sobre a pele
Na incerteza de um final feliz


Quem sabe, quem pode saber
Como vai ser
Como vamos viver
Amanhã ou no ano que vem?


Não, não é a hora de ignorar
Os apelos das horas cansadas
Das fontes que nunca secaram
Talvez seja a hora de apenas sonhar

sexta-feira, 4 de março de 2011